Quarta-feira, Julho 01, 2009

Carta de suicídio de uma amiga

Desculpa Raquel, mas depois que eu li seu bilhete de suicídio eu pensei "preciso publicar isso no blogue". Se você ficar puta comigo pode me mandar um e-mail e eu retiro. É que eu achei hilário demais para ficar só na minha caixa de entrada.

Depois de uma semana inteira na companhia de George Orwell, Luigi Pirandello e Clarice Lispector, a estudante Raquel Caldas Mendonça suicidou-se na tarde de hoje por ter sido obrigada pelo namorado a ler "Homens são de Marte e Mulheres são de Vênus", do americano John Gray. Na carta suicida, endereçada ao amigo Wellington Almeida, a jovem confessou que assim que abriu o livro sentiu-se mal e que um incontrolável instinto suicida se apoderou dela, tamanha filosofia barata. "Ele me obrigou Well, e eu acabei comprando o livro! 12 euros! 12 malditos euros que eu podia ter gasto comprando Dostoiévski ou Camus, mas não! ELE me obrigou a ler auto-ajuda." A jovem será cremada e suas cinzas enviadas ao Brasil. Como último pedido, solicitou que suas cinzas fossem jogadas em cima da cripta de Carlos Drummond de Andrade. O namorado rock star disse através da sua assessoria de imprensa que vai tentar ler o "Livro do Desassossego", do poeta português Fernando Pessoa, como forma de redimir-se da culpa eterna.

Reuters

Segunda-feira, Junho 29, 2009

Eu e o Porto

Quando vi as belíssimas fotos do Porto tiradas pela minha amiga Raquel, quase me deixei enganar. A zona ribeirinha é linda e única mas nada tira do Porto o galardão de cidade mais aborrecida do mundo. E já estou contando com Milão, Leiria e Arapoti!

Terça-feira, Maio 05, 2009

Troca de emails

_ Cris, olha aí mais uma fofoca sobre a Amy. "Amy Desmaia e é hospitalizada".

Resposta:

_ E desde quando a Amy desmaiar ou ter uma overdose é fofoca? É pleonasmo!!

Segunda-feira, Maio 04, 2009

Ninguém entende o Twitter


"cerca de 60% dos que se registam no Twitter desistem das actualizações ao fim de um mês" reclamam horrorizados os responsáveis pela rede Twitter. A notícia caiu como uma bomba junto dos fundadores do site. Engraçado foi a justificação de um dos criadores, Evan Williams "é muito simples mas não óbvio [de usar]". E eu confesso, sem irónia alguma, que até hoje não entendo a utilidade desse Twitter.

Sábado, Maio 02, 2009

Eu não gosto da Susan Boyle


Isto até pode parecer um comentário cínico da minha parte mas de facto não nutro qualquer simpatia pela camponesa escosesa abobalhada que está fazendo sensação no YouTube, a Susan Boyle. Após ter mostrado que seu vozeirão não combinava com a sua aparência "rude" (adjectivo que li num artigo do DN) virou a estrela do concurso televisivo Britain's Got Talent e fez o vídeo ter mais de cem mil visualizações na internet. O vídeo que eu vi ainda tinha uma liçãozinha de moral no fim, do tipo "não julgue um livro pela capa" escrito em letras garrafais. Arrrgggh, estas coisas costumam me dar náuseas. Não é o cepticismo que me compele, nem se trata do cinismo nauseabundo por parte dos jurados. O que me irrita aqui é a ignorância e a total amnésia em relação aos grandes vocalistas da história da música! De onde saiu esta idéia de que as grandes vozes estão por trás de caras lindas e bronzeadas? E o povão aplaude de boca aberta em catarse colectiva impressionados pela mulher feiosa de 47 anos que conseguiu se dar bem. É triste assistir o que a estética televisiva dos reallity shows fez com a gente.

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Da série "me engana que eu gosto"

"Acordo Ortográfico estará seguramente em vigor ainda este ano" Disse o ministro da cultura português José António Pinto Ribeiro em chamada de notícia publicada no Diário de Notícias online sexta-feira. Então tá bom.

Segunda-feira, Abril 27, 2009

O projecto de lei francês sobre downloads ilegais


Esta nova - muito polémica - proposta de lei francesa que promete punir os usuários que fazem downloads ilegais com o corte total à internet me fez lembrar de «Relatório Minoritário» do Spielberg. No filme, os «assassinos» são presos antes mesmo de cometerem os crimes pelos quais estão a ser condenados. Quero dizer, coloco o álbum novo da PJ Harvey para baixar, mas meus downloads estão super lentos e o arquivo está quase a meio... o que fazer? os homens da censura se perguntam. Barramos já o acesso desse tipo ou vamos esperar ele ter o álbum todo no computador? Ser punido sem ter cometido o crime por completo, jamé!

Quarta-feira, Março 18, 2009

Lost in Translation (II)


Inspirado pelo post da Raquel, resolvi lavar umas roupas sujas em público. O assunto é o mesmo, pela pentelhésima vez. Sábado a tarde, turma toda se preparando para um pic-nic em Monsanto, clima de alegria e descontração até que.... nosso mestre de cerimónias Jaimão, me flagra num momento de pura hostilidade e o climão começa a ruir nossa tertúlia. Eu segurava o encarte do cd dos Deolinda [banda portuguesa que tem vindo a fazer considerável sucesso com sua "nova leitura" do Fado] e com desprezo, lançava-o à mesa de centro com a seguinte sentença "...Se eu ainda tinha algum interesse por isto, este acabou de desaparecer!" Eu falava do primeiro verso de "Garçonete da casa de Fado" que começa assim:


Eu sou brasileira e já arranho o português. 
Cheguei vai pra uma semana e já me viro com freguês

Ok. Você deve estar pensando "Lá vem ele mais uma vez com esta ladainha". Pensou certo. Pode até ser que isso seja um papo furado sem fim. Mas se então não é para levar a sério, porque é que meu comentário ofende tanta gente? O problema é que eu acho isso muito mais grave do que aparentemente parece. Tenho sentido de humor que chegue, obrigado, mas não vejo nenhum mecanismo humorístico ali. Peço desculpas se minhas capacidades intelectuais não alcançam nota tão alta. Fui radical no meu comentário? Provavelmente. E se pudesse voltar atrás, não o faria da mesma forma. Acho que nem sequer o faria. Mas argumentar que a letra é "inofensível" ou é "uma metáfora" ou "é a liberdade de expressão da banda através da música" como tentaram, eu refuto veemente todas estas "justificações". Não aceito o pensamento de que uma letra de música tenha muito menos importância que um artigo de opinião ou um capítulo de um livro e por isso não tenha de ser levada a sério. A música - e qualquer outro meio de comunicação de massas - chega a muito mais gente do que qualquer um dos outros exemplos aqui citados. É através da música - também - que se forma opiniões, que se dá opiniões. 
Por mais que se dê o benefício da dúvida a estes versos - seja pela (suposta) intenção do gracejo, seja pela rima fácil que "Português" faz com "freguês" etc etc etc - é uma imposição de uma afirmação deveras irresponsável. A "metáfora" que alguém defendia no sábado no meio da discussão, passou muito longe dali. Se assumimos que a ortografia é uma mera convenção arbitrária de uma língua , então também podemos afirmar que segmentos fonológicos que se divergem, são produtos completamente distintos entre si? Se vivêssemos num mundo sem fronteiras morais, políticas, éticas, you name it, a resposta seria "SIM". Mas felizmente, para o bem ou para o mal, isto não é o que vigora, e por assim ser, não podemos nos dar ao luxo de desbaratar a dizer (ou cantar, neste caso) asneiras a torto e a direito sem tomar o peso da responsabilidade para si próprio. Até lá, faço uso daquele famoso bordão que bate no peito e diz: "Minha língua é a minha pátria". E isso,  deveria ser motivo de orgulho para uns quantos milhares poraí.

P.S. No final, tudo ficou bem. Entre tapas e beijos e uns 38 pedidos de desculpas.

Terça-feira, Fevereiro 10, 2009

Madonna Lésbica


Você também não sabia, aposto. Mas segundo o site EGO quem come agora, é a mãe.

Sábado, Fevereiro 07, 2009

Pérola do dia


« Penso, Logo ...menstruo »

Raquelzita, em momento máximo de sabedoria feminina no seu Koiné["Penso", para quem não sabe, em Portugal também significa absorvente feminino]

Segunda-feira, Fevereiro 02, 2009

Quem tem medo de Noam Chomsky ?

O linguísta americano Daniel Everett no Amazonas, com um pescador pirahã.

Através da minha querida amiga Raquel chegou às minhas mãos um artigo - publicado hoje na Folha online - precioso. O artigo fala de uma língua falada por uma tribo do Amazonas, o pirahã, que por causa das peculiaridades do seu idioma, contradiz completamente a teoria da "Gramática Universal" defendida pelo "papa" da linguística, Noam Chomsky. Quem a defende é o linguísta norte-americano Daniel Everett. Segundo ele, o pirahã não partilha dos princípios universais linguísticos essenciais para a Gramática Universal, segundo o qual a biologia humana molda a linguagem e a variação gramatical em todas as línguas. O principal ponto é a falta de recursividade do pirahã, ou seja, a capacidade de formar frases infinitamente longas encaixando elementos um no outro [ex. Maria ama João que ama Joana que ama Fernando...]. A teoria, defendida por Everett, se for comprovada, pode vir a abalar os pilares de tudo o que se conhece e se estuda hoje sobre linguística. Em dezembro, o linguísta norte-americano lançou no Reino Unido o livro «Don't Sleep, There Are Snakes» no qual desenvolve mais amplamente sua tese. Não tenho nada contra Chomsky - muito pelo contrário - e acho importantíssimo toda a vida que ele dedicou nos estudos sobre linguística, mas é sempre interessante e reconfortante descobrir que há vida para além do arco-íris. O artigo e a entrevista dada à Folha de São Paulo pode ser lida aqui.

Quinta-feira, Janeiro 29, 2009

Desabafo do dia

O alemão é a língua mais FILHA DA PUTA que existe. Punct.

A volta dos que não foram

Artigo no jornal do Metro de ontém, quarta-feira 28/01/2009

Starbucks

E eu ouvia um tal de «Starbucks» para lá «Starbucks» para cá e nem fazia idéia de que não tinha pairado nenhum por aqui ainda. Pois não. Por isso esse buxixo todo. E parece que já abriram duas de uma vez, para saciar esta gente sedenta cansada dos Buondis queimados da vida. Fiquei curioso. Aí um amigo em estado de choque me conta que pagou u-m-e-u-r-o-e-o-i-t-e-n-t-a por dois dedinhos de café espresso e eu caí para trás. Putz, não fode né? e o pior de tudo é que foi numa chávena de louça (!) sem direito àqueles copões que a gente vê nas mãos do povo dos filmes. É por isso que sou muito mais minha Nespresso Essenza edição limitada. Sem filas, sem hypes e sem o George Clooney.

Quarta-feira, Janeiro 28, 2009

Só as mães são felizes

Quando minha mãe pedia electrodoméstico, tapete persa ou sofá novo como presente de aniversário ou no dia das mães eu ficava indignado. No auge da minha rebeldia pueril achava que ela era uma pobre vítima da sociedade se reduzindo a um mero papel de dona de casa reprodutora e submissa. Aí eu dava flores. Ignorando o facto de a Dona Maria ser uma nordestina cabra da péxte que sabe muito bem das coisas. Hoje fiquei doido para fazer uma receita de um bolo que vi no google mas na falta do ingrediente principal lembrei da minha velhota na hora: só as mães sabem a felicidade que é ter uma batedeira em casa.

Terça-feira, Janeiro 27, 2009

Uma palavra sobre «A Favorita»

Não queria vim para aqui falar o que eu penso de novela. Sempre que falo vêm pessoalzinho falar que eu preciso relaxar, ver bobagens de vez em quando porque a vida é séria demais, que sou metido a intelectual e as mesmas baboseiras de sempre. Falar mal de novela virou sinónimo de cinismo intelectualóide e estou fugindo desse rótulo como o diabo foge da cruz. O problema é que ultimamente ando vendo que muito boa gente - incluindo amigos queridos de muito, ops, bom gosto - anda vendo novela. Em especial esta tal de «A Favorita». Nunca vi um único episódio mas de tanto ouvir comentários alheios, fui tomando parte do bolo. Por exemplo, sei que o autor tentou dar uma manipulada aí na opinião pública que malhava as novelas, acusando-as de variações do mesmo tema, e transformou a vilã na boazinha e vice-versa. Aí vejo o Daniel Piza [jornalista/colunista do Estadão] comentando no seu blogue o último capítulo da novela e fico cabreiro: será mesmo o fim da standardização novelesca? Estarei perdendo alguma coisa de realmente importante? Sem parar para pensar muito, continuo céptico:a resposta é não. Acho válido que dentro deste nicho popularesco e acessível (perdoem-me o pleonasmo) que a produção folhetinesca se insere, hajam estas, digamos, subversões narrativas. Mas que isso não tire o seu objectivo: novela é feita para chegar ao grande público, para agradar a gregos, troianos e romanos de tabela. Se a audiência está fraca porque as personagens lésbicas não têm protagonismo, matem as lésbicas numa explosão qualquer. Autor é pago para vender anúncios, dar Ibope. E quem faz protesto para novela liberar cena de beijo gay é porque não deixou a ficha cair ainda. Já vi muita novela na vida, a última foi «Renascer» se não me engano, e deixei de vê-las simplesmente por falta de interesse. A mesma falta de interesse que me fez deixar de lado os gibis da Magali que eu adorava. Diversão vagabunda e despretensiosa para mim é «Showgirls» do Paul Verhoeven e nem tenho que ficar preso à tv por sete meses.

Quinta-feira, Janeiro 15, 2009

Da série: O que preocupa os brasileiros?

Leio hoje, na página principal da Folha de São Paulo online, as cinco notícias mais lidas do site. Nos dois lugares cimeiros:


1 - "Presidente disse que não acredita que o refúgio político a Cesare Battisti vá abrir uma crise diplomática com a Itália."

2 - "Flora levará tiro de Irene ou Silverinha em «A Favorita» "


E tem gente que ainda se preocupa com recessão, crise mundial e estas coisas.

Terça-feira, Dezembro 02, 2008

...E a Byblos fechou

A Byblos, a livraria que se gabava de ser a maior do país (e que fechava aos domingos, santa burrice) fechou há algumas semanas. Foi uma comoção nacional. Até destaque nos jornais televisivos em horário nobre teve. Sem querer parecer presunçoso, não foi muita novidade para mim quando soube da notícia. Uma empresa daquele porte e que não tinha preços, estrututas e serviços à altura da sua maior concorrente (a Fnac) não pode culpar a crise mundial pelo seu colapso. Muita tinta já foi gasta com o assunto e muitos dedos apontados também. Só que agora é tarde demais. Vamos é ver se serve de lição aos empresários que têm - por defeito - meter o ego na frente da carroça e dos bois.

Quarta-feira, Novembro 12, 2008

Período sabático

Este blogger promete, com a mão direita em riste, retorno activo do período sábatico para muito breve. Mudança de residência, falta de internet e apatia total são algumas das desculpas para o abandono involuntário deste que vos escreve. Coisas que eu volto a falar num post futuro quando os porras da Clix resolverem se me quer como cliente ou não. Até lá, vou fazendo uns rascunhos no Word para não faltar assunto. Até já.

A arte da burocracia

Para se obter a nacionalidade portuguesa por naturalização um dos requisitos básicos para o fulano que tenha tais intenções é que conheça razoavelmente a língua portuguesa. Nada mais justo, claro. Mas a exigência também vale para os cidadãos oriundos dos países de língua oficial portuguesa, veja você. Mesmo que comprove que não são analfabetos e pior, que frequentem uma instituição de ensino superior portuguesa. É como quem diz «você perde um pouco do seu tempo, eu perco um pouco do meu e assim vamos fortalecendo essa aliança ariana que é a burocracia». Nunca o Simplex foi tão claro para mim.

Quarta-feira, Julho 09, 2008

Do Portugal profundo

"...Eu não sou nada racista, se eu lhe disser que os pretos do meu prédio têm a renda mais em dia do que os próprios brancos, você não acredita..."

Uma colega de trabalho num momento de inspiração profunda.

A arte de liderar

Eu tava fazendo zapping na tv e paro numa espécie de reallity show na Sic Mulher, onde vários chefes de cozinha disputavam a gerência de um restaurante. Não sei o nome do programa (e fiquei com preguiça de pesquisar no Google) mas acho que é daquele cozinheiro famoso chamado Jamie. Numa das provas - chefiar uma cozinha de um restaurante movimentado - por um dia, o chefe do restaurante em questão faz um comentário acerca de um dos participantes ao Jamie. "Ele não serve para isto. Entrou aqui com aquela postura de quem não quer arranjar atritos com ninguém, quer ser amigos de todos..." e o Jamie completa "...e quem tem este tipo de postura não serve para gerir estabelecimento nenhum." Pela minha pouca experiência com patrões e chefes da vida, pelo menos 95% dos que tive pensam exactamente assim. Que é preciso ser odiado/temido pelos funcionários para ser um bom gestor. Não sei se é isso que as faculdades de gestão ensinam poraí mas acho lamentável que hoje ainda, formadores de opinião da mediaticidade do tal Jamie acredite nestas histórias da carochinha. Não se pode acreditar que quem, na maioria das vezes, dá a cara a uma empresa deve ser tratato com indiferença, desconfiança. É precisamente o contrário. Há uma grande diferença entre "temer" e "respeitar" e são poucos os sábios é que sabem disso.

Sexta-feira, Julho 04, 2008

Da série "viajando na maionese"

«Têm a ver com a maneira de ser e de estar dos irlandeses (...) por serem católicos e tradicionais, os irlandeses tiveram receito de que uma onda liberalizadora pudesse atingir os costumes e causas essenciais na sociedade (...) pairava uma ameaça ao nível da soberania, nomeadamente da neutralidade militar»

Isabel Meirelles, especialista em assuntos europeus, justificando o "não" irlandês ao Tratado de Lisboa no Público de sexta-feira. Então tá.

Quarta-feira, Junho 25, 2008

Eu e o Bruno Nogueira


Pego meu cdzinho, vou para a fila da Fnac e quando lá chego, aquele cidadão alto e desengonçado à minha frente me chama logo a atenção. É o Bruno Nogueira, aquele moleque feio com três metros de altura que conta umas piadas sem-graça na televisão e alguns chamam-lhe génio. Tiro-lhe as medidas todas: jeans largão, t-shirt básica, e ténis surrados para dar um ar (falso) de quem quer passar despercebido. Olho as pessoas à sua volta e apenas um senhor, companhado da filha adolescente apercebe-se do "artista" na fila e fitam-no com curiosidade. A garota da caixa - que já reparou quem será o seu próximo cliente - tenta desesperadamente fazer cara de indiferença e não move um músculo da face. Em vão. Consigo farejar o seu nervosismo à distância. É a vez do Bruno então.

_ Boa Tarde. Tem cartão Fnac?
_ Não, não tenho. [voz de culpa]

Ele mete, desajeitado, a sua pilha de DVD's e livros no balcão. Fico imaginando os títulos (poesia francesa do século XVI, filmes escandinavos surrealistas...) mas procuro não olhar para não lhe dar este gostinho de querer parecer cool e me finjo distraído com o telemóvel quando ele dá uma ligeira olhadela para trás. Entretanto se volta e fixa imóvel o folheto do cartão Fnac ao balcão. Parece incomodado, como se a loja toda estivesse olhando para o seu enorme ego e eu fico torcendo para que ele dê uma vista geral de olhos na loja e encare aquele chocante cenário. Imagino nosso diálogo.

_ Podes olhar, não tem ninguém te olhando.
_ [ligeira curvada para trás]
_ É contigo mesmo, podes olhar para trás, relaxa.
_ Desculpe? Está a falar comigo?
_ Estás desculpado. Sim, contigo. Eu disse que...
_ Desculpe lá, mas eu lhe conheço de algum lado?
_ Tudo culpa da TV que faz nos sentir tão íntimos dos "artistas"...
_ Pois, o problema é que não se pode abordar comediantes dessa forma na rua, não aprendeu a lição com um dos meus últimos e brilhantes sketches?

E então ele agarra no seu saquinho amarelo - sempre fazendo cara de garoto tímido - e sai olhando para o chão, como se fosse a Madonna saindo da limusine para entrar no hotel de luxo. E a rapariga do caixa agradece, respira fundo, fecha a gaveta e já está pronta para continuar tranquila o seu dia.

_ Boa Tarde. Tem cartão Fnac?

Quarta-feira, Junho 18, 2008

Sobre o Acordo Ortográfico

Num jantar entre amigos, depois de todas as trivialidades postas à mesa, eis que o nosso mestre de cerimónias, Jaimão, pede para sacarmos "assuntos polémicos" para aquela tertúlia. Teve de tudo, até sobre a suposta avó de Jesus Cristo (!) falamos. Até que claro, aproveitando a miscigenação lusitana do momento, fui puxar o maldito Acordo Ortográfico da gaveta...
Em termos gerais, as opiniões contrárias ao Acordo Ortográfico no meu ver, são compostas das seguintes maneiras:

1 - Purismo.
2 - Purismo.
3 - Falta de informação.
4 - Interesses pessoais por parte das editoras.

Claro que ninguém é obrigado a ser a favor do Acordo (que já foi aprovado e quase ninguém se deu conta, ainda hoje recebo e-mails com a tal petição "contra") mas argumentos válidos que é bom, nunca vejo. Não tenho a intenção de fazer nenhuma apologia ao acordo aqui no blogue, tenho milhares de razões para ser a favor - e nenhuma delas inclui o facto de seu ser brasileiro - mas é que este assunto já me cansou de uma forma que me arrependo toda vez que eu entro numa discussão sobre. Mas é mais forte que eu, simplesmente não consigo evitar.

Da série «Já vimos este filme antes»

Jelinek denuncia, de forma implacável, a Àustria do pós-guerra: a herança nazi, a perversão sexual, o ódio ao estrangeiro, a determinação em esquecer o passado a todo custo, o sucesso e a promoção social como valores supremos.

Leio na resenha sobre o livro «Os Excluídos» e penso: Onde é que já vimos isto antes?

Terça-feira, Maio 20, 2008

O humor dos "Contemporâneos"

Este post já foi publicado anteriormente no Prepúcio Com Queijo, inicialmente previsto para estas bandas.


Fazendo um zapping um domingo destes, dei de caras com a nova aposta humorística da RTP: Os Contemporâneos. Já o primeiro sketch, com o insuportável e insípido Bruno Nogueira, quase me fez mudar o canal mas a piada sobre a menina Madeleine era tão boa que resolvi dar uma chance. Mais do mesmo, como eu já esperava. E o programa até tinha outras piadas boas, como o concurso para avaliação dos Professores, o elevador com excesso de peso... Mas depois - e aqui é aquela parte chata que era inevitável - tudo o que não é genuíno acaba por deixar cair a máscara uma hora ou outra e não há mais nada que o salve do fiasco. Quero dizer, há muitas idéias interessantes por detrás daquilo tudo. Bons actores a dar a cara (Maria Rueff tem talento nato para comédia, Nuno Lopes irreconhecível) etc e tal, mas tem alguma coisa (ou muitas) que no balanço final, não funciona. Não tenho a solução, caso algum indignado me pergunte, mas este é o tipo de humor que se eu quiser ver, basta ligar minha tv em qualquer hora do dia. Com tantos nomes "quentes" nos créditos, era de se esperar algo melhor. É tão cansativo ver aquela tentativa forçosa em fazer humor subversivo (que se resvala para o politicamente correcto alguns minutos depois) passivamente no meu sofá. Aquelas mesmas piadas sobre o PSD, sobre o Benfica, sobre o tema do dia qualquer (e que é matéria-prima nas mãos dos humoristas que estão poraí) já não interessam a mais ninguém. O Herman faz isso, os Gato fedorento, o Inimigo Público, os tipos do Levanta-te e Ri... esqueci de alguém? As vezes fico confuso, é o mercado que está monopolizado? É humor para português ver? O que é certo é que fazer humor sobre nada é mesmo coisa para poucos e eu pagaria para ver. Até lá, vamos nos contentando com estas bobagens.


Ah, já ia me esquecendo, alguém precisa avisar o Nuno Markl que ele a rebolar suas formas arredondadas às câmeras não foi uma idéia lá muito feliz. Se fosse no Brasil, não diriam que ele "pagou um mico" e sim um gorila.

Terça-feira, Abril 29, 2008

Harry Potter deu primeiro no Brasil

A prova de que Harry Potter é uma invenção do Brasil (nos longínquos 1989) está aqui.

Terça-feira, Abril 15, 2008

Cenas do dia-a-dia (XII) - jantar de amigos

Quando eu acho que a inspiração para este blogue já está mais que esgotada e que já era hora de ele bater as botas, acontece estes episódios deliciosos na minha vida que é preciso compartilhar. Guardar só para mim não teria a menor graça. Numa destas noites da vida, estava eu jantando com uns amigos na casa de uns novos amigos e a mãe do nosso amigo em comum, aquele tipo mãe-descolada que pede para ser chamada pelo nome próprio (sempre tive inveja das mães-descoladas, a minha sempre foi das normais, "careta" portanto) fazia as honras da casa. Contava histórias, arrumava a mesa, ria de qualquer comentário nosso, tudo na mais absoluta descontracção. Então, todo mundo já sentado, a conversa super animada, o Ricardo traz aquele frangão assado para a mesa, que nos fez parar a conversa de imediato de tão suculento que parecia e cheirava. Assim que paramos de falar do frango, a super-mãe do nosso amigo vai a cozinha e quando ela volta - agora imaginem essa cena em câmera lenta - volta com aquele sorrisão de comercial da Sadia de ponta a outra. Vestido balançando para lá e para cá e um objecto azul-claro não identificável na mão. Então ela chega junto ao frango e finalmente vejo o que era: uma daquelas sérras eléctricas que fez muito sucesso nos anos 50 (idêntica àquela que aparece no filme Brokeback Mountain, mas bem maior), tenho vontade de sair correndo chorar de rir em algum canto da casa mas olho para todo mundo e parece ser a coisa mais normal do mundo. Dona Felicidade (vamos chamá-la assim) cortava feliz o frango em pequenas fatias ao som daquele vrrrruuuuuuummmmmmm nostáligico e nos serviu à todos até o último pedaço. A mãe do Ricardo era uma espécie de Leatherface de saias, só que numa versão mais clean e que descobriu a fonte da felicidade. Um jantar inesquecível.

Domingo, Abril 06, 2008

Momentos de sabedoria da semana

«Pode-se sempre tirar uma pessoa do bairro mas nunca o bairro da pessoa»
Minha sábia e querida amiga Bia, em momento de inspiração máxima.




_ Sim, é o meu noivo, que está desempregado no momento...
_ E em que àrea ele está?
_ Da expectativa.


Uma cena do filme «Corações» em cartaz esta semana em Lisboa.

Quarta-feira, Março 26, 2008

O "passatempo" divertido da TMN

Hoje a TMN fez um passatempo que deve ter deixado todo mundo com cara de tacho sem entender o que se passava ali. A intenção era oferecer 25 bilhetes duplos para o concerto (já esgotado há quase dois meses) dos deuses ingleses Portishead que acontecerá amanhã no Coliseu. Você se inscrevia na guestlist deles e eles depois ligavam para 50 sortudos para dar uma pista de como conseguir o tão desejado bilhete. Uma amiga recebeu a tal chamada com uma gravação que dava as instruções de como ir à caça ao tesouro.Deveria então dirigir-se ao Príncipe Real entre as 17 e 18 horas, procurar um coelho (!) e responder uma pergunta sobre a banda que supostamente estava com o maldito coelho. Então chegamos ao jardim lá pelas 17:10 e começamos a procurar o tal do bichano. Notamos algumas poucas pessoas também à caça, mas aquela coisa típica portuguesa, pessoal meio com vergonha de fuçar nas latas de lixo e tal e ficamos tranquilos, a concorrência não assustava. Aí, pertinho das seis, Príncipe Real já lotado, todo mundo ja desistido de procurar pelos infames dos coelhos, um tipo vestido de coelho aparece lá na puta que pariu do nada e o povo sai correndo atrás dele. Corremos também.Sem saber o que fazer, o pessoal se atira de corpo e alma e agarra o coelho - note-se, sem instrução nenhuma - minha amiga, num momento de inspiração colectiva deu um jeito de segurar na cabeça do pobre infeliz (coitado do fulano que tava ali dentro). Aí o coelho começa a se despedaçar.Um braço arrancado, cabeça fora do tronco e aquela muvuca agarrada ao que sobrou do coelho. Aí um rapaz aparece do nada e diz "são só 25 bilhetes, quem não tiver agarrado ao coelho - a parte que ainda se mexe - está fora do passatempo" Pérai, como assim??! Que é esta merda, pegadinha do Faustão? Minha amiga, incrédula segurando a cabeça do felpudo maldito (que já estava fora do corpo e portanto, fora do passatempo) não acreditava na coelhada... digo, na palhaçada. Umas 537 pessoas estavam ali todas agarradas e eles só tinham 25 bilhetes!! Como ia ser feito a distribuição, aos 25 primeiros? Como eles sabiam quem eram os primeiros? Nem nós nem eles. Então desencanamos e fomos embora, porque ver gente burra e desorganizada à frente destas iniciativas me causa urticária. GENTE BURRA!!! Depois dessa prometemos, não queremos nunca mais ver coelhos pela frente.

Sexta-feira, Março 14, 2008

Confissões de um hipocondríaco em crise

Até ver a personagem do Jack Nicholson no filme «Melhor é Impossível» , eu achava que era o maior hipocondríaco do mundo. Com a diferença que ele usava um sabonete novo para cada vez que lavava as mãos e eu não. Na verdade, depois, conhecendo outros hipocondríacos e partilhando histórias em comum, percebi que eu não chegava aos pés deles e isso fazia me sentir um pouco melhor. O problema é que todo hipo é uma ilha e acha que é o maior do mundo. E é mesmo aí que eu quero chegar. Estes dias alguém me perguntou qual o aspecto que mais mudou em mim depois destes seis anos em Portugal e eu fui enfático: tornei-me menos hipocondríaco. Sim, porque as pastelarias lisboetas e suas idiossincrasias higiénicas são melhor que qualquer terapia. Depois de comer milhões de croissants com queijo e manteiga preparados na MINHA frente com a mesma mão que pegou no dinheiro alguns segundos atrás ou que limpou o balcão com aquela flanelinha asquerosa de cor não-identificável ou melhor ainda, que deu aquela "arrumada" estratégica no falo que teima em ficar do lado esquerdo da cueca, depois disso, nem livro de reclamação nem o car***o, você se torna um ser humano superior. É isto mesmo, um ser puro. Puramente contaminado. E com os outros "colegas" conheci aqueles que estão a anos-luz das minhas paranóias, os que tomam remédio compulsivamente. Um grande amigo, hipocondríaco não-assumido, encharca-se nos comprimidos antes mesmo dos sintomas aparecerem, que é "para prevenir" diz ele. E partindo então desses preceitos fui atrás de descobrir o meu eu interior (acho esta construção "meu eu interior" meio pleonástica mas gosto dela assim, dá um ar místico). E descobri que o meu maior medo, aquele buraco negro que faz as pessoas tremer só de pensar, como a morte para a grande maioria ou as baratas para uns, para mim é o medo de pegar herpes. Labial. Eu sei que parece ridículo por milhares de razões, afinal ter herpes labial é como ter caspa, não tem cura mas não é o fim do mundo. Mas só de pensar que um simples beijo pode trazer aquela coisa para mim para o resto da vida, é de me fazer cagar de medo.Só hoje me dei conta do quanto aquela feridinha me faz ter calafrios.Fui à uma entrevista e a minha interlocutora não só tinha herpes no lábio superior como toda a familía dela (da herpes) até a terceira geração. Aí eu bloqueei, meu cerebro só pensava numa coisa e a entrevista foi uma beleza.

_ Então há quanto tempo está em Portugal?
_ Herpes.
_ E gosta de viver cá?
_ Herpes, Herpes.
_ E quais os seus planos para o futuro?
_ Herpes, Herpes, Herpes.
_ Com certeza, qualquer coisa voltaremos a contactar. Obrigada.

O grande problema é mesmo o "não ter cura". Estas três palavrinhas na mesma frase são mais assustadoras que viver com as chagas de Cristo. Afinal, uma coisa é tomar AZT e saber que aquilo vai chegar a algum lado outra é a pomadinha que não serve para absolutamente nada e que tenta lhe convencer que tudo vai ficar bem. Não vai. O pior de ser hipocondríaco é que você sabe que não adianta pedir café com a chavena escaldada para o resto da sua vida. Porque um dia, um belo e iluminado dia, o garçom vai pegar na sua colherinha com aqueles dedos cheios de coliformes fecais e não há nada que você vai poder fazer.Nada.

Sexta-feira, Fevereiro 01, 2008

Cenas do dia-a-dia (XI) - A virilidade (intacta) do meu gato

O senhor Afonso deve ser um daqueles gatos raros -um em mil - que mesmo passados meses após sua castração, ainda continua com impulsos sexuais muito latinos. Que o diga o hipopótamo de pelúcia que vive por aqui também, vítima de sucessivos abusos sexuais. Ele deve ser o equivalente felino do António Banderas.

Segunda-feira, Janeiro 28, 2008

Cenas do dia-a-dia (X) - Na Faculdade

Professor a meio da aula recebe um sms e diz «Preciso me ausentar por 15 minutos, portanto aproveitem e formem os grupos para o trabalho e escolham um tema». Éramos em uns 15 alunos no máximo. Além de mim, todas garotas de idade máxima 21 anos. Então o professor sai da sala e NINGUÉM diz absolutamente nada ou se move da cadeira. Foi como naquela brincadeira da estátua, alguém diz «stop!» e devemos permanecer estático o maior tempo que conseguirmos. Ganha quem não se mexer. Assisti à cena deliciado, decidido a ir até onde aquilo me levava, então pouco mais de 15 minutos depois o professor entra e tudo volta ao normal. Acho que minhas colegas são tipo aquelas mulheres-robôs do filme «Stepford Wives». Medo.
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Semana passada devido à uma restruturação que vai haver na universidade saiu um burburinho (que teve muito destaque na imprensa, aliás) de que uma das Faculdades, a minha, iria acabar. Então convoca-se uma reunião às pressas com os alunos que fica marcada para acontecer entre as 11 e as 13 horas. No meio de muitas intervenções acaloradas e polémicas desnecessárias, tudo fica esclarecido, e ficamos a saber que se tratava de mero boato e que o buraco era mais embaixo.O relógio marca então 13 horas em ponto e o Professor responsável se levanta e vai embora. Aí toda mundo se revolta. Chamam-lhe de covarde, mentiroso, entre outros piropos menos agradáveis. Nessa hora, alguém puxa um coro e começam então com uma espécie de hino estudantil, uma coisa negríssima com letra de duplo sentido e fortes conotações políticas. Os braços todos em riste. Só faltaram os chapéus brancos pontiagudos. Peguei minha mala e muito assustado, saí da sala rapidinho. Lembrei-me de um cartaz clássico do Banksy: «I don't believe in anything. I'm just here for the violence»

Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

RyanAir em Lisboa, para quando?


Li em algum lugar que existe milhares de petições percorrendo o universo online em Portugal. Inclusive uma, com pouco mais de 200 assinaturas, para a criação de uma e-bay portuguesa. Como é que ninguém ainda se lembrou de criar uma a favor da RyanAir operar em Lisboa? Os preços que eles praticam são escandalosamente irreais. Simplesmente não dá mais para voar com a Tap e a m**** da Ibéria.

Segunda-feira, Janeiro 21, 2008

A Byblos e sua pequenez

Aproveito que os amigos estão indo ao Amoreiras para ir visitar a Byblos que fica ali mesmo em frente. São 18:10 de Domingo e a livraria está fechada.Para quem se gaba de ser a «maior livraria do país» não abrir aos Domingos é um erro de maketing dos mais primários. Pior, é desperdiçar a hipótese de fazer frente a sua maior concorrente: a Fnac. O mesmo vale para os supermercados que fecham as 8 da noite (excepto se você morar ao lado de um Shopping).
Um amigo de férias por aqui definiu bem a situação «Não parece uma capital européia e cosmopolita mas antes uma cidade do interior do Brasil em vias de desenvolvimento». Não adianta nada querer ser grande e pensar pequeno.

Segunda-feira, Janeiro 07, 2008

O YouTube engoliu a minha memória


Sexta-feira à noite, quando era suposto estar na rua bebendo e socializando como as pessoas normais fazem, fiquei em casa. Eu e a cara metade, até as cinco da manhã revendo (quase) toda nossa infância e pré-adolescência perdida no...YouTube. Sim, porque já não precisamos mais das nossas memórias para aquelas conversas flashback que a gente tanto gosta. Lembra da caneta de 24 cores? A gente costumava perguntar nesses papos nostálgicos, pois até isso o YouTube nos roubou. Basta um clique e já está. O YouTube pode ser a 8ª maravilha para uns mas um dia ele vai engolir a minha, a sua e a memória de todos os que você conhece. Vai vendo... Deixemos então o sermão sociológico de lado por enquanto. O negócio funcionava mais ou menos assim, a gente recordava algum momento televisivo que nos tinha sido muito marcante de alguma forma e íamos embora a caça no YouTube. Está quase tudo lá, dá até vontade de chorar: O suicídio da Laurinha Albuquerque Figuerôa (eu tinha dez anos, aquilo foi traumático para mim) o episódio do Chaves do disco voador que foi repetido a exaustão, a primeira vez que a Patrícia Marx veio a público na fase "adulta" (eu até fazia parte de um fã-clube, veja só), a explosão da rival Deborah Blando (a "madonna brasileira" diziam alguns), o Barbosa que minha irmã caçula morria de medo (meus pais nos proibiam de ver TV Pirata, por causa dela), o Ferris Buller e aquele fatídico dia em que a cidade inteira dançou ao som dos Beatles, o Howard que me fez olhar para os patos de forma diferente, a Casa do Terror, um programa hilário de dois únicos episódios (a Globo cancelou porque a audiência foi uma vergonha) que provavelmente só eu e minha amiga Sandy nos lembramos e o meu herói de todos os tempos, o Kevin Arnold da série Anos Incríveis. Acho que eu passei metade da minha infância tentando imitar o kevin. Até algumas expressões que ele usava eu repetia pros outros fingindo serem minhas. Ah, que saudades... De todos estes "momentos túnel do tempo" teve apenas um que não conseguimos encontrar. O aniversário da Xuxa em que ela fez as pazes com o pai. Lembra? Ela de costas pra ele, muitas lágrimas, musiquinha triste crescendo...Esse, para quem foi "baixinho da Xuxa" no final dos anos '80 deve ter sido o clássico dos clássicos. Pelo menos foi para mim. Naquele maldito verão de 89.


A pieguice desse post só faz sentido clicando nos links em vermelho nos seus respectivos vídeos. Por isso, força aí. O YouTube precisa de todos os cliques que você possa dar.

Sexta-feira, Dezembro 21, 2007

Pérolas da Inguinorância (parte I)

«...dificilmente uma dona-de-casa portuguesa vai comprar um livro de culinária brasileiro que fala em "açougue" ("talho" em Portugal), e o carpinteiro brasileiro com um manual português nas mãos talvez fique embasbacado com a palavra "berbequim" (furadeira). De outro lado, a grafia cheia de letras mudas – tecto, facto, acto – não impediu o português José Saramago de ser best-seller no Brasil»

Do jornalista Jerônimo Teixeira (VEJA) que com certeza que não sabe o que quer dizer Acordo O-r-t-o-g-r-á-f-i-c-o.

Sexta-feira, Dezembro 14, 2007

Bad Santa!

Pais discutem se as crianças devem ou não sentarem-se no colo do Pai Natal, leio no jornal «Sexta» que acompanha o Público de hoje.


Se isto não fosse trágico, seria engraçado. Essa paranóia da pedofilia já começa a encher. Como era bom ser criança nos anos '80.

Terça-feira, Dezembro 04, 2007

Cenas do dia-a-dia (IX) - o estranho do metro

Então imagine que você acordou meio atrasado, faz as coisas meio às pressas, desce as escadas do seu prédio ainda arrumando o cabelo e quando pára para dar uma conferida na caixa de correios, tem uma surpresa: aquela revista que você assina (e que adora) acabou de chegar e também uma carta daquele seu amigo do Brasil que você não fala há séculos. Uma carta! Quem é que sabe o que é uma carta nestes tempos que correm? Então você joga a carta e a revista na mala e corre em direcção ao metro, doido para chegar logo e ler sossegado enquanto vai para o trabalho. Quando passa pela praça da Camões ainda dá tempo para se irritar com a velhota à sua frente à passos de lesma mas enfim, paciência. Aí você desce as infinitas escadas rolantes da Baixa-Chiado e corre, porque o comboio acabou de chegar e está parado, com as portas abertas só a sua espera. Então você se joga lá para dentro e quando vê o único assento disponível em todo vagão seu olhar cruza com o da pessoa que está sentada ao lado. E adivinha, é aquele tipo, aquele seu ex-colega de trabalho que você mal se lembra do nome e que não lhe interessa a mínima. Nos segundos infinitos que se passam entre a vossa troca de olhar e o seu caminhar em direcção ao maldito assento você pensa nas opções:

a) Sento-me ao seu lado, como bom rapaz educado que sou, faço perguntas que não me interessam para nada, evito silêncios constrangedores a todo tempo depois me despeço, vou para o trabalho e leio minhas coisas quando chegar em casa à noite.

b) Sento-me ao seu lado, cumprimento, tiro a revista da mala, me afundo para dentro dela. E leio-a de cabo à rabo. Sem constrangimento nenhum.

c) Finjo que não conheço. Vou lá para o fundo do vagão, e em pé abro a carta do meu amigo e ainda leio-a antes de chegar no trabalho. Mais tarde, irei me sentir péssimo por ter sido mal-educado e anti-social, mas o que vale é o momento. Como diria aquela propaganda de cigarro.

Eu tenho sempre uma boa desculpa caso alguém queira me apontar o dedo. Não funciono sobre pressão. Simplesmente não dá. Aí sempre faço estas, como diriam os portugueses, figuras tristes.


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Não sei se você já viu «Laços» no YouTube, a curta brasileira que ganhou o concurso Project Direct. Se não, faça o favor de clicar aqui.

Terça-feira, Novembro 27, 2007

Procura-se leitores desesperadamente


Segundo o «egometro» do meu blogue , aquela ferramenta que faz a contagem das visitas diárias, as coisas vão de mal à pior: da média de 70 visitas diárias, ando recebendo mais ou menos... 48 ! A caixa de comentários já não é o que era e o contador anda preocupado: é a decadência iminente. Recebi então, estrategicamente, uma mensagem com «dicas» de como recuperar os leitores (e a dignidade) perdidos. É por isso que este blogue decidiu mudar sua «linha editorial» radicalmente. E já que não temos o João Kleber aqui para animar as coisas, o negócio é apelar para a nossa criatividade mesmo (o tal «jeitinho brasileiro» que eu nunca soube muito bem o que é, deve ser isso). Bem, a partir de hoje você vai ler aqui notícias sobre sexo (explícito), como conseguir aquelas posições mais difíceis sem precisar de fazer malabarismos e claro, fofocas sobre o mundo das celebridades. Tudo muito didáctico e muito bem ilustrado por belas modelos devidamente aprovadas pelo Photoshop. Resolvemos aderir às estatísticas do Google. Dois dos três temas mais buscados no motor de pesquisa , você vai encontrar só aqui. O terceiro era «futebol» mas aí também ja seria pedir demais.

Domingo, Novembro 25, 2007

Nomes Portugueses (II)


As vezes penso que é bem menos ridículo se chamar «Rubesvaldo» ou «Gledislaine» do que ter àqueles nomes compostos pomposos tipo «Victor Hugo» ou «Rodolfo Augusto». Típico de mães que adoram ver uma novelinha das oito. As mães sabem ser cruéis.

(Momento mea culpa: tava relendo o post anterior, quase que foi pro saco. Não soube me fazer entender ali. As idéias estão muito fragilizadas e as palavras meio perdidas. No momento parecia ter acertado o tom, hoje vejo que não. Resolvi não apagar porque não gosto desta auto-censura que a democracia da internet proporciona. Desculpa lá.)

Segunda-feira, Novembro 19, 2007

Divagações sobre a maior àrvore de Natal

E que boa notícia para quem como eu odeia aquela árvore de Natal ridícula que todo ano aporta em Lisboa. Chamem-me estraga-prazeres,insensível, cínico, o que for. Não tenho vocação para aquele ritual empobrecedor da «inauguração» da maldita árvore. Aquela multidão histérica toda reunida, sorrindo débilmente como se tivessem presenciando o cometa Halley pela primeira vez. É como se todos soubessem o caminho para atingir o nirvana menos eu. Estava divagando sobre isso quando me lembrei do padre e poeta São João da Cruz. Ele acreditava que era preciso estar na merda (não com estas palavras) para se conseguir ver a luz, para falar com Deus.
Penso sempre nisso quando vejo tamanha catarse colectiva. Será esta a mesma linha de raciocínio? Será preciso ir rezar naquela gruta lá na Rússia? Será preciso ler «O Segredo» para começar a acreditar? Espero bem que não. Este ano a «maior àrvore de Natal da europa» vai aborrecer os portuenses. Láááá no norte, bem longe de mim.

Sexta-feira, Novembro 16, 2007

SMS

_ Não trouxe nada para ouvir, nada para ler, essa Loja do Cidadão é uma tortura... até um garoto que faz Morangos com Açúcar* veio aqui pagar a luz... artista português tbm sofre!
_ A sério?? Quem é?
_ Não sei o nome, um dos principais... ninguém dá bola para ele, coitado rsss
_ É o preço da fama cá em Portugal meu caro...
_ Acho que ele daria tudo para ter um acessor agora... nem artista pode furar fila neste país!
_ Coisas que só o Simplex faz por ti ;)
_ Daria tudo para ver os famosos lá do Brasil pagando conta no Poupatempo...


* Morangos com Açucar é uma novelinha portuguesa para adolescentes, uma espécie de Malhação do terceiro mundo.

Terça-feira, Novembro 13, 2007

O Grande Desastre Americano

Num desses dias fomos ao Great American Disaster que abriu ali no Marquês de Pombal. Aquele lugar é qualquer coisa de surreal.Restaurante vazio, empregados chapados com cara de propaganda de margarina e musiquinha anos 50 como trilha sonora de fundo, tudo com um aspecto assustadoramente clean. Aí pedimos refrigerante e pizza. O copo veio partido e a pizza toda esburacada embaixo porque havia grudado na forma. Caímos na gargalhada. Não entendemos se o nome do franchising é para ter piada ou puramente intencional. E nem vou procurar no Google para não perder a graça.